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Notícias de saúde / Papa Francisco condena eutanásia
« Última mensagem por salgado18 em 19/11/2017, 18:26 »
Papa Francisco condena eutanásia

18 de Novembro, 2017

O Papa Francisco afirmou que a eutanásia é sempre ilícita, mas reconheceu como “moralmente lícito” renunciar ou suspender a aplicação de meios terapêuticos quando estes são eticamente desproporcionais.


O Pontífice fez essas reflexões numa carta enviada aos participantes do Encontro Regional Europeu da Associação Médica Mundial, que terminou ontem, no Vaticano, organizado pela Pontifícia Academia para a Vida.
O Papa citou a Declaração sobre a Eutanásia de 5 de Maio de 1980, afirmando que é “moralmente lícito renunciar à aplicação de meios terapêuticos ou suspendê-los, quando o seu emprego não corresponde àquele critério ético e humanista.”
Essa escolha “assume responsavelmente o limite da condição humana mortal, no momento em que reconhece não mais poder contrastá-lo, sem abrir justificativas” à supressão do viver. “Uma acção, portanto, que tem um significado ético completamente diferente da eutanásia, que permanece sempre ilícita, enquanto se propõe interromper a vida, buscando a morte”, completou. Na mensagem, o Papa comemorou que a medicina conseguiu desenvolver maior capacidade terapêutica nos últimos anos, responsável por acabar com muitas doenças e prolongar a vida.
Francisco disse que na hora de atender um paciente é preciso avaliar a “efectiva proporcionalidade” dos tratamentos propostos na situação concreta, “tornando desejável renunciá-los se tal proporcionalidade fosse reconhecida como ausente.”
O Papa criticou a existência de uma desigualdade terapêutica cada vez maior, que está presente “nos países mais ricos, onde o acesso aos tratamentos corre o risco de depender mais da disponibilidade económica das pessoas do que das efectivas exigências de tratamentos.”  Francisco também citou os cuidados paliativos.

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Bicicleta do vencedor da Volta a Portugal de 2017 leiloada por 3.600 euros

AGÊNCIA LUSA / PORTUGAL / 17 NOV 2017 / 16:59 H.
 Bicicleta do vencedor da Volta a Portugal de 2017 leiloada por 3.600 euros


O dinheiro vai ser entregue à Associação Salvador para ser aplicado no apoio ao desporto adaptado.
A bicicleta com a qual o espanhol Raúl Alarcón (W52-FC Porto) venceu a 79.ª Volta a Portugal foi leiloada por 3.600 euros que vão ser entregues à Associação Salvador para serem aplicados no apoio ao desporto adaptado.

De acordo com a organização da prova, a bicicleta foi hoje entregue a Henrique Delgado, um emigrante em França, que em 2015 ofereceu a maior licitação pela bicicleta do espanhol Gustavo Veloso.

“Falhei o leilão de 2016, mas já estou a pensar no próximo ano”, afirmou Henrique Delgado, depois de ter recebido a bicicleta de Alárcon.

A Associação Salvador foi fundada em 203 e tem como principal objectivo promover a integração das pessoas com deficiência motora na sociedade e melhorar a sua qualidade de vida.


Fonte: http://www.dnoticias.pt/documents/1/0/768x512/0c80/768d432/none/11506/LMKY/image_content_1133258_20171117165912.jpg
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Para lá das carreiras: turmas mais pequenas e manuais gratuitos


Assembleia da República  |  JOSE SENA GOULAO/LUSA

Partidos avançaram com muitas alterações no Orçamento na área da Educação.

No dia em que o ministro das Finanças, Mário Centeno, surgiu no Parlamento para, no fecho do debate da especialidade, antecipar que não haverá "efeitos retroativos" no descongelamento das carreiras dos professores - e afirmando que, já no próximo ano, "47% dos professores vão progredir", ou seja, "46 mil professores", num total de "mais 115 milhões de euros" para esse descongelamento, o primeiro-ministro, António Costa, tentou "distinguir" o que está em causa no Orçamento do Estado (OE) e na discussão com os sindicatos sobre as carreiras dos professores.

Em Gotemburgo, na Suécia, António Costa afirmou que "aquilo que está em debate no OE é o cumprimento de um compromisso que assumimos de pôr fim ao congelamento das carreiras de todas as carreiras da administração pública e, portanto, pegar no cronómetro que está parado há vários anos e repô-lo a funcionar", mas há outro tema que se confundiu neste entretanto: "Outro tema distinto é a discussão que foi agora aberta sobre o que acontece ao período de tempo em que o cronómetro esteve parado."

De regresso a Lisboa, da esquerda à direita, as várias bancadas parlamentares insistiram com o ministro das Finanças para não esquecer os professores. Do PS chegou o apelo para que fosse encontrada uma solução. Mário Centeno pareceu irredutível, mas as negociações (que podem resultar em propostas de alteração ao OE 2018) decorriam à hora de fecho desta edição.

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BE e PCP avançam com um conjunto de propostas para a Educação e para o Ensino Superior que se tocam. Os bloquistas propõem reduzir o número máximo de alunos por turma nos anos de início de ciclo (e já obtiveram o acordo do governo para reduzir em dois no início de cada ano letivo). Também os comunistas querem a "redução do número de alunos por turma nos primeiros anos de cada ciclo de ensino (1.º, 5.º, 7.º e 10.º anos). Também a gratuitidade dos manuais escolares no ensino básico está inscrita nas propostas de uns e outros parceiros parlamentares do governo socialista.

Há outro ponto em que o BE e o PCP alinham nas propostas de alteração ao Orçamento que é o da suspensão da atualização do valor de propinas pelas instituições de ensino superior. Por sua vez, o PCP avança com a proposta de "aumento do número de salas do ensino pré-escolar na rede pública", o "desdobramento das turmas mistas com mais de dois anos de escolaridade não sequenciais do 1.º ciclo", mas salvaguardando que não podem ser encerradas escolas, e um "plano de reforço de meios no âmbito da educação especial".

À direita também há propostas de alteração. O PSD apresentou 75 propostas e entre elas defende a manutenção do "benefício em sede de IRS para os vales educação, revogando a sua eliminação que consta da proposta de lei do Orçamento para 2018".

O CDS também defende estes vales, propondo duas modalidades: os vales infância, "destinados ao pagamento de creches, jardins-de-infância e lactários", e os vales educação, "destinados ao pagamento de escolas, estabelecimentos de ensino e outros serviços de educação".

PSD e CDS insistem em várias alterações em sede de IRS traduzidas em benefícios para as famílias, no caso, "com mais filhos", como apontam os sociais-democratas. Os centristas defenderam ainda o financiamento de turmas de ensino profissional e o alargamento do terceiro escalão da Ação Social Escolar.

 
Fonte: DN
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Academia do Porto unida por uma Cadeira de Rodas


Sexta, 17 Novembro 2017 09:54

 "Dá-me uma Tampa” consiste numa campanha de recolha de tampinhas na Academia do Porto. Para tal, a FAP associou-se à Operação Tampinhas da Lipor, uma iniciativa de recolha de tampinhas de plástico, canalizando-as para a reciclagem e utilizando o valor da venda na doação de equipamentos médicos, ortopédicos ou similares a uma causa social.

Em comunicado, a FAP explica que “enquanto entidade promotora de eventos da mais diversa índole, a atividade social é uma área de grande revelo para a Federação Académica do Porto, uma vez que assume um papel crucial no apelo a uma intervenção mais ativa, ciente e solidária por parte dos estudantes da Academia do Porto”.
Na última entrega de prémios da Lipor, a FAP recebeu uma cadeira de rodas e três pares de canadianas pela entrega de aproximadamente 800 kg. Com vista a ajudar quem mais precisa, ofereceu a cadeira de rodas a Manuela Botelho, moradora do Bairro Pinheiro Torres, onde a FAP tem um dos centros comunitários da FAP no Bairro.
Com esta campanha, a FAP pretende “incentivar os estudantes a separar tampas em plástico e conseguir ajudar mais pessoas e o ambiente através de uma pratica muito simples: solidariedade”.


Fonte:  http://www.viva-porto.pt/Geral/academia-do-porto-unida-por-uma-cadeira-de-rodas.html
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Noiva em cadeira de rodas é surpreendida com dança no casamento

17/11/2017  16:05

Dois recém-casados levaram os convidados de sua festa e a internet às lágrimas com a primeira dança que fizeram como marido e mulher.


Créditos: reprodução/Shareably
Noiva em cadeira de rodas é surpreendida com dança no casamento

Os britânicos Martine e Christopher Kilminister, de 28 anos, estão juntos há 12 anos e são pais de dois garotos.


Há cerca de dois meses, Martine foi diagnosticada com glioblastoma espinhal na fase 4, um tipo de câncer mortal.

"Quando perdi a sensação em minhas pernas no mês passado, todos pensamos que era um nervo”, disse ela ao Daily Mail. “Eu estava lutando há alguns meses contra uma dor nas costas severa, mas os médicos só achavam que eram espasmos musculares." Após uma varredura, um enorme tumor comprimindo a medula foi descoberto.

Depois de um mês, a condição de Martine piorou e ela ficou paralisada. Os médicos disseram que tinha menos de dois anos de vida.

Embora já estivessem juntos há muito tempo e tivessem até filhos, Martine e Christopher nunca se casaram oficialmente. O diagnóstico foi a motivação que precisavam. "Foi agitado planejar tudo em tão pouco tempo, mas sempre quis me casar com Christopher", contou Martine.



Noiva em cadeira de rodas é surpreendida com dança no casamento

Após um mês de planejamento, eles se casaram. Mas poucos sabiam que o noivo havia preparado uma surpresa. Quando o som começou a tocar, ele tirou Martine da cadeira de rodas para dançar.

"Eu não tinha ideia de que Christopher iria me pegar na cadeira de rodas, mas foi uma surpresa maravilhosa", relembrou a noiva. “Christopher lutou para me tirar da cadeira de rodas, mas, quando conseguiu, pudemos desfrutar de nossa primeira dança. Todos ao nosso redor estavam chorando e, apesar de ser um dia emotivo, adorei cada segundo."

Com informações de Shareably e Daily Mail


Fonte: https://queminova.catracalivre.com.br/inclui/noiva-em-cadeira-de-rodas-e-surpreendida-com-danca-no-casamento/






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Associação de Cidadãos Com Deficiência, Seus Cuidadores e Amigos, criada em S. Brás de Alportel
 

JMM - diariOnline  19 Nov 2017 13:38 Saúde, Sociedade

Uma nova instituição de cariz social, com a denominação “Movimento Determinante, Associação de Cidadãos Com Deficiência, Seus Cuidadores e Amigos”, foi no passado dia 12 de novembro criada em S. Brás de Alportel, mediante a realização da sua assembleia constituinte efetuada no salão nobre da Junta de Freguesia.

Reunindo algumas dezenas de cidadãos portadores de deficiência, seus cuidadores e amigos, a nova instituição tem na presidência da Direcção a D. Maria Alice Fernandes, que enviou ao diariOnline Região Sul a presente comunicação, bem como o “texto fundador” que através da sua leitura nos esclarece integralmente, e que seguidamente se publica na íntegra.

Texto fundador, integral, da Movimento Determinante, Associação de Cidadãos Com Deficiência, Seus Cuidadores e Amigos
«Para além das boas intenções, das leis, da presença habitual nos discursos, da disseminação pelas campanhas eleitorais de mandatários para a deficiência, o que é verdade é que a realidade é bem mais dura, pois é no quotidiano que se notam as deficiências nas obras, as falhas nos apoios e o desrespeito por quem tem de enfrentar uma vida muito mais recheada de dificuldades.
A deficiência, seja ela de que natureza for, obriga o portador a viver verdadeiros infernos com as barreiras físicas e humanas que diariamente tem de enfrentar, seja tentando deslocar-se no interior dos espaços urbanos, seja tentando aceder à maior parte dos serviços públicos e autárquicos, seja ao ter de lutar pelo estacionamento da viatura ou pela prioridade no atendimento.
Em número muito significativo, os familiares mais íntimos têm de se tornar psicólogos, enfermeiros e cuidadores dos seus que, por força de doença, acidente ou da idade vêm diminuídas as faculdades físicas e ou intelectuais.
O cidadão portador de deficiência é também portador do estigma social suscitado, por um lado, pela curiosidade mórbida ou pela comiseração humilhante e, por outro, pela indiferença dos governantes nacionais e locais, que recusam sistematicamente a aplicação de soluções adequadas e gastam mal os dinheiros públicos em exibições de grande “compreensão e estima” pelos deficientes que se limitam a produzir números estatísticos.
Os cidadãos portadores de deficiência não são cidadãos de primeira com descontos fabulosos nos impostos. Ao contrário, são cidadãos que, para além das limitações que transportam, têm ainda de enfrentar um mar de despesas, recorrendo normalmente à família para poderem encarar a vida e os custos com reabilitação, ajuda de terceira pessoa, remédios, fraldas, algálias e muitas mais.
Pesem embora as preocupações com os assuntos da deficiência e da reabilitação diariamente manifestadas nos mais diversos fóruns políticos, o panorama não é famoso. As ajudas financeiras são parcas e altamente insuficientes, entre salários para ajuda diária e necessidades especiais que facilmente ultrapassam os mil euros por mês. Quem paga o restante? A família, pois claro!
Também no atendimento especializado contamos com os Centros de Medicina Física e de Reabilitação, altamente especializados e prestadores de serviços notáveis. São, no entanto, poucos e nem sempre dispõem dos recursos financeiros e humanos necessários ao seu bom funcionamento e à intervenção médica e técnica oportuna dos que deles necessitam.
Não sendo famoso o panorama, resolveram juntar-se num MOVIMENTO DETERMINANTE alguns cidadãos portadores de deficiência, seus familiares e cuidadores, visando a promoção e defesa dos direitos, liberdades e garantias desses cidadãos e das suas famílias.
Não pretendemos substituir-nos ao Serviço Nacional de Saúde mas, com o apoio de todos, vamos concretizar o sonho de muitos instalando infra-estruturas que apoiem o dia a dia dos cidadãos com limitações, libertando os Pais/ Cuidadores para que estes possam usufruir de algumas horas do dia em seu provento, libertando-se momentaneamente das preocupações constantes, permitindo-lhes usufruir de mais qualidade de vida.



Pretendemos ajudar o Estado e a sociedade portuguesa a entender melhor as particularidades da vida destes cidadãos especiais e das suas famílias e a adequar os apoios às suas necessidades.
Pretendemos ajudar os autarcas a adequar os espaços públicos e as edificações e a promover a sua acessibilidade para que qualquer pessoa, com ou sem deficiência, os possa franquear, evitando-se as exclusões que se abatem sobre quem tem limitações.
Em súmula, pretendemos ajudar o Estado a adequar as suas despesas, pretendemos ajudar a melhorar a vida dos cidadãos portadores de deficiência e dos seus familiares e cuidadores e pugnar pelos direitos e ajudas que para tal se imponham.
Pretendemos ainda lembrar que é nos Centros de Medicina Física e Reabilitação que o cidadão, que foi vítima de acidente ou de doença, recupera alguma da sua qualidade de vida e que, nos tempos correntes, a saúde desses centros vitais encontra-se necessitada de um apoio sério e decidido, a prestar de imediato, através da recomposição do seu pessoal e da dotação dos materiais necessários à sua atividade.
No entanto, vimos também apelar à colaboração, à sã solidariedade porque este como todos os problemas mais sérios da sociedade só se resolvem com a participação de todos. Só com uma atitude mais interessada da sociedade podemos almejar que o cidadão portador de deficiência encontre respeito, que os cuidadores possam, também, ter direito à sua vida e que os amigos possam ajudar na medida das suas possibilidades e competências.

São Brás de Alportel, 12 de Novembro de 2017»


Fonte: https://regiao-sul.pt/2017/11/19/saude/associacao-de-cidadaos-com-deficiencia-seus-cuidadores-e-amigos-criada-em-s-bras-de-alportel/403274
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Atletismo / Convocado para os Jogos Mundiais IWAS2017
« Última mensagem por migel em 19/11/2017, 17:38 »
Convocado para os Jogos Mundiais IWAS2017



Publicado em domingo, 19 novembro 2017 16:29

Foi com uma enorme satisfação que recebi a minha 7ª convocatória para representar a seleção Portuguesa numa competição internacional.

Esta tem um sabor redobrado por se realizar em Portugal, numa pista que conheço tão bem, o complexo desportivo de Vila Real de Santo António, e também por ter sido nesta competição que em 2013 fui classificado internacionalmente, e onde ganhei a minha primeira medalha internacional, (Bronze nos 200 metros), a que já se juntaram mais três, em dois Campeonatos da Europa, (Bronze nos 100 metros, Swansea2014), (Prata nos 100 metros e Bronze nos 400 metros Grosseto2016), fazendo com que seja o atleta que mais medalhas conquistei para o atletismo em cadeira de rodas Português, e espero voltar a conseguir elevar a bandeira de Portugal nesta competição que vai decorrer nos dias 3, 4 e 5 de Dezembro.

Nesta competição, irei fazer 4 provas nas seguintes distâncias 100, 200, 400 e 800 metros, esta última irá substituir a prova dos 400 metros que o IPC retirou do programa paralímpico, para a classe T52, tendo os atletas agora as seguintes distancias 100, 800 e 1500.




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Deficiência Visual / Calendário sensual vai ajudar cegos
« Última mensagem por Sardinha em 19/11/2017, 12:00 »
Calendário sensual vai ajudar cegos



Culturistas dão corpo a uma iniciativa de cariz solidário. 01:30PARTILHE 36 0 1 / 13 Calendário solidário vai ajudar cegos Direitos Reservados 36 0Uma dúzia de atletas de culturismo, nas áreas men’s phisique ou body fitness, juntaram-se a três dezenas de cegos e criaram um calendário solidário para ajudar a Associação de Apoio aos Deficientes Visuais do Distrito de Braga. "Adorei a experiência. Foi muito gratificante", disse ao CM Raquel Salgado, que treina no ginásio Gym Box. Para comprar o calendário, o melhor é pelo Facebook da associação.



Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/calendario-sensual-vai-ajudar-cegos

Fonte: CM
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Quanto pagaria para ter mais tempo de vida saudável?


Medicamentos, suplementos, transfusões de sangue jovem ou dietas com poucas calorias: O sonho de parar o envelhecimento passou da ficção para a ciência e há muitos jogadores conhecidos e importantes em campo, como os fundadores da Amazon e da Google.

DAVID MARÇAL  19 de Novembro de 2017, 9:00


Há uma ínfima minoria de pessoas que vive para lá dos 100 anos. E há seres vivos com tempos de vida muito diferentes. O envelhecimento parece ser à luz da genética do século XXI um processo que se pode controlar e manipular. Há grupos de investigação científica que procuram compreendê-lo. E empresas que investem milhões para conseguir vender vida. E pessoas, especialmente as mais endinheiradas, que não podem ou não querem esperar pelas confirmações científicas e compram já tratamentos para viverem mais: medicamentos, suplementos, transfusões de sangue jovem ou dietas com poucas calorias. Quanto pagaria para ter mais tempo de vida saudável? Viver mais e parar o envelhecimento é um sonho antigo, que saltou da ficção para a ciência.


A francesa Jeanne Calment foi a pessoa que mais tempo viveu. Nasceu 12 anos antes de ter início a construção da Torre Eiffel, em 1875. Casou-se com 21 anos e graças à fortuna do marido nunca precisou de trabalhar, nem fora nem dentro de casa. Praticava esgrima, ténis e natação. Andou de bicicleta até aos 100. Gostava de chocolate e de vinho do Porto. Fumou dos 21 aos 117 (não fumava mais do que dois cigarros por dia e pensa-se que não inalava). Gostava de pintar, tocar piano e ir à opera. E mais do ar fresco do que da vida social. Fazia longas caminhadas e era apressada.

O seu único neto morreu aos 36 anos num acidente de moto, quando Calment tinha 88. Era o seu último parente vivo. A partir daí viveu sozinha até aos 110, altura em que se mudou para um lar, ainda de boa saúde, na sequência de um incêndio em casa. Não quis pendurar no seu quarto fotografias da filha e do neto, porque queria olhar para a frente. Mas pediu para ser enterrada com uma fotografia de cada, o que se concretizou. Aos 113 contou aos jornalistas como tinha conhecido o pintor Vincent Van Gogh, fazia 100 anos. Aos 114 um estudante de doutoramento em Medicina fez a sua história clínica. Tinha sido vacinada uma vez em criança e a aspirina era o único medicamento que alguma vez tomara na vida, para as enxaquecas. Disse na televisão que nunca, nunca tinha estado doente. Como supercentenária, andava pelos corredores do lar mais depressa do que residentes 30 anos mais novos. A vitalidade, a lucidez e o humor com que respondia aos jornalistas a cada aniversário surpreendia. Partiu uma perna aos 115 anos, numa noite enquanto subia as escadas para ir fumar. Foi operada e sobreviveu. Nunca mostrou sinais de demência, tendo aprendido matemática numa idade avançada. No final da vida estava praticamente cega, ouvia mal e andava numa cadeira de rodas, mas não tinha nenhuma doença grave. Era crente e estava em paz com Deus. Assegurava que não lhe faltava nada porque tinha as suas bonitas memórias. Atribuía a sua longevidade ao humor e dizia que morria a rir.

Jeanne Calment morreu em 1997 de causas inespecíficas, 122 anos, cinco meses e 14 dias depois de ter nascido. Teve muito mais tempo de vida saudável do que a esmagadora maioria dos seres humanos, os seus anos extra não foram vividos como uma moribunda. Podemos perguntar porquê. Jeanne não teve um estilo de vida radicalmente diferente do que muitas outras pessoas que vivem bastante menos. A resposta para uma longevidade deste tipo tem de ser encontrada nos genes: 62 antepassados directos de Jeanne Calment viveram significativamente mais do que a generalidade das pessoas da sua época. Uma boa parte deles, especialmente do lado do pai, passou os 80. Os mecanismos da hereditariedade ao nível do ADN só foram cabalmente esclarecidos já ia o século XX bem avançado. Mas Calment ganhou uma espécie de lotaria genética em pleno século XIX, no momento em que foi concebida. O seu irmão, François, viveu até aos 97.


PÚBLICO - Jeanne Calment morreu com 122 anos e teve muito mais tempo de vida saudável do que a esmagadora maioria dos seres humanos
Jeanne Calment morreu com 122 anos e teve muito mais tempo de vida saudável do que a esmagadora maioria dos seres humanos PASCAL PARROT/SYGMA/GETTY IMAGES
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Aprender com as supercentenárias

“Jeanne Calment e os seus sucessores. Notas biográficas dos seres humanos que mais tempo viveram” é o título de um estudo publicado em 2010, feito por uma equipa de investigadores que estudou as vidas de 20 pessoas que chegaram aos 115 anos. Recolheram dados biográficos, fizeram entrevistas e descobriram que os supercentenários tinham vidas muito diferentes. Três dos 20 pertenciam a famílias abastadas, mas os restantes trabalharam boa parte das suas vidas. Um nasceu prematuro. Metade não teve filhos ou teve apenas um. Uma das mulheres teve 15 filhos e outra 12. Em comum tinham muito pouco: para além de serem quase todos mulheres (apenas dois homens neste grupo de 20), a maioria nunca tinha fumado (ou fumado muito pouco) e nenhum tinha sido obeso. Nenhum seguiu o que seria considerado hoje em dia uma dieta saudável. Três das mulheres que mais viveram comiam bastante chocolate e outros doces. A medicina moderna ajudou a prolongar as suas vidas, tratando-os de infecções e fracturas, por exemplo. Mas nenhum teve problemas cardíacos significativos ou formas graves de cancro. Oito não tiveram qualquer tipo de demência até ao último ano de vida. Todos tinham sentido de humor e uma forte vontade de viver, mas não temiam a morte e pareciam reconciliados com a finitude da sua vida.

No mundo conhecem-se apenas cerca de 65 pessoas com mais de 110 anos. E as histórias de Jeanne Calment e dos seus sucessores não oferecem uma explicação óbvia para as suas vidas prolongadas. Mas os filhos de centenários têm oito a 17 vezes mais probabilidades de ultrapassarem os 100 anos. Se queremos chegar saudáveis aos 80 anos, precisamos de ter um estilo de vida saudável. Mas se quisermos ser centenários saudáveis, precisamos de ter os genes certos.


Por isso a empresa norte-americana Androcyte tem em curso um grande estudo clínico que visa sequenciar o ADN de supercentenários e compará-lo com o de pessoas que vivem menos. Infelizmente, nenhum de nós escolheu os pais mediante uma análise genética. Mas a esperança é que o conhecimento dessas diferenças permita desenvolver medicamentos que simulem em pessoas “normais” os efeitos desses genes que permitem a alguns viver mais tempo. Outra hipótese mais arrojada é a possibilidade de usarmos técnicas modernas de edição genética, de autêntico “corte e cola” de ADN, para substituir genes normais por versões desses genes vantajosos para o envelhecimento. João Pedro de Magalhães, investigador na área de envelhecimento da Universidade Liverpool, tem reservas quanto a esta segunda abordagem: “Uma coisa é curar uma pessoa de uma doença, outra coisa é fazer uma pessoa saudável viver mais tempo. Eu diria que não está no horizonte fazermos esse tipo de aplicações na área do envelhecimento, mas, certamente à medida que melhoramos essas técnicas, poderá eventualmente chegar-se ao ponto em que vale a pena melhorar os nossos genes, mesmo em pessoas saudáveis.”


PÚBLICO - Pensa-se que a baleia-da-gronelândia pode viver mais de 200 anos. É o mamífero mais longevo que se conhece
Pensa-se que a baleia-da-gronelândia pode viver mais de 200 anos. É o mamífero mais longevo que se conhece FLORILEGIUS/SSPL/GETTY IMAGES
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A baleia que foi caçada duas vezes

Em Maio de 2007, uma baleia-da-gronelândia foi caçada na costa do Alasca. A caça à baleia está proibida, mas algumas comunidades estão autorizadas a capturar um pequeno número para fins tradicionais. Mas não era a primeira vez que alguém tentava caçar aquela baleia. Os baleeiros encontraram, entre um osso do pescoço e o ombro do mamífero de 50 toneladas, a ponta de um arpão explosivo. Um fragmento de 30 centímetros de um modelo fabricado em New Bedford, no Estado norte-americano do Massachusetts, produzido apenas entre 1879 e 1885. A baleia terá sido arpoada enquanto jovem, ainda no final do século XIX. Mas viveu até ao século XXI, tendo chegado a uma idade entre os 115 e os 130 anos.

Na sequência da descoberta, os investigadores têm vindo a estimar a idade de outras baleias-da-gronelândia. Pensa-se que podem viver mais de 200 anos e são o mamífero mais longevo que se conhece. Outro que se aproxima são os elefantes, que podem viver 70 anos. E, claro, os humanos.

Mas as baleias-da-gronelândia permanecem livres de doenças até idades muito mais avançadas do que nós. Resta saber qual é o “truque” — e se também resulta connosco. Tendo em conta o seu enorme tamanho e longevidade, deveriam ter uma incidência de cancro apocalíptica. Mas não têm. As suas células devem ter uma probabilidade de desenvolver cancro significativamente menor do que as células humanas. Para compreender essas diferenças e identificar os seus mecanismos antienvelhecimento, investigadores sequenciaram o genoma da baleia-da-gronelândia. Os mecanismos que lhe conferem longevidade e resistência às doenças do envelhecimento ainda são praticamente desconhecidos. Mas já foram identificados alguns genes relacionados com mecanismos específicos de reparação e manutenção do ADN.

mais de 800 genes
que se conhecem associados à longevidade em leveduras e vermes, mas apenas sete em seres humanos
Outro animal que vale a pena estudar é o rato-toupeira-nu, que pode viver mais de 30 anos, muito mais do que o rato doméstico, que vive em média apenas dois anos. Tal como a baleia-da-gronelândia, é praticamente livre de cancro. O estudo de espécies com longevidades distintas mostra como o envelhecimento é um processo regulado e com o qual podemos interferir. Talvez a ideia mais impressionante seja a descoberta da facilidade com que se consegue aumentar o tempo de vida de certos organismos, com a alteração de um único gene. Uma mutação num gene específico (daf-2) do verme C. elegans resulta na expansão da sua vida para o dobro (de 30 para 65 dias). Conhecem-se mais de 200 mutações de um único gene que conseguem aumentar o tempo de vida de espécies habitualmente usadas como modelos de investigação em laboratório, como vermes e moscas. E mais de 20 manipulações genéticas que conseguem atrasar a morte e os sintomas de envelhecimento em ratinhos de laboratório.

E se fosse possível fazer o mesmo connosco? Essa ideia é obviamente irresistível. Mas pode não ser assim tão fácil. Conhecemos mais de 800 genes associados à longevidade em leveduras e vermes, mas apenas sete em seres humanos. Já sabemos muito acerca de como prolongar a vida de modelos de investigação, mas ainda pouco em nós. Provavelmente, poucos genes que permitem manipular o envelhecimento em animais-modelo serão úteis em humanos. Mas esses poderão ter um efeito tremendo. De qualquer forma, este novo conceito do envelhecimento, como um processo plástico e moldável, abre espaço a muitas ideias de negócios para o travar.

O envelhecimento pode ser visto como a deterioração progressiva das funções fisiológicas acompanhada de aumento da vulnerabilidade e mortalidade com a idade. Os tratamentos antienvelhecimento visam atrasar o surgimento de múltiplas doenças relacionadas com a idade e não apenas uma em particular. Procuram tratar o envelhecimento em si. A ideia não é prolongar a vida num estado de decrepitude, proposta que teria muito poucos clientes, mas o número de anos de vida saudável. Um artigo de revisão recente, de que o investigador português João Pedro de Magalhães é co-autor, faz um apanhado das dezenas de empresas que procuram desenvolver estratégias deste tipo. E há muitos jogadores conhecidos e importantes em campo, como os fundadores da Google ou da Amazon.



A ideia não é prolongar a vida num estado de decrepitude, proposta que teria muito poucos clientes, mas o número de anos de vida saudável
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CRISTINA PEDRAZZINI/SCIENCE PHOTO LIBRARY/GETTY IMAGES
As pontas dos atacadores

Uma parte importante desta história pode estar nos telómeros, que são as pontas dos nossos cromossomas. Fazem nos cromossomas as vezes das cabeças dos atacadores, que impedem os fios de se desfiarem. Os telómeros são sequências repetitivas de ADN ligado a proteínas, que têm como função proteger o nosso material genético durante a divisão das células. Temos também uma enzima, chamada “telomerase”, que serve para aumentar o tamanho dessas pontas protectoras dos cromossomas. Mas a telomerase vai perdendo a sua luta e, à medida que envelhecemos, os telómeros vão-se tornando mais curtos e os nossos cromossomas ficam mais desprotegidos. A descoberta de medicamentos para activar a telomerase, e dessa forma alongar os telómeros, é a aposta de empresas como a BioViva e a Telocyte (esta focada no tratamento da doença de Alzheimer).

Serão os telómeros o elixir da juventude? Para João Pedro de Magalhães, é mais complicado do que isso: “Os telómeros são importantes em algumas doenças do envelhecimento, são mecanismos de protecção contra o cancro. Em relação a outros factores do envelhecimento, não é ter telómeros longos que é importante. Há um tamanho ‘Goldilocks’ [referência à história infantil Caracóis de Ouro e os Três Ursos, em que uma menina faz escolhas que considera as mais convenientes, como a sopa nem muito quente nem muito fria]. Os telómeros não podem ser nem muito grandes nem muito pequenos, têm de ter um tamanho médio. Por isso, eu diria que há manipulações de telómeros que podem ser importantes para determinadas doenças, mas não acho que alongar os telómeros por si só seja sequer benéfico para a saúde. Existem empresas neste momento que vendem compostos, suplementos que permitem aumentar o tamanho dos telómeros, mas não acho que seja necessariamente a melhor estratégia.”

A Unity Biotechnology, que conta entre os seus investidores com o fundador da Amazon, Jeff Bezos, procura medicamentos que permitam preservar as funções fisiológicas das células ao longo da vida
Outras empresas procuram medicamentos que permitam preservar as funções fisiológicas das células ao longo da vida, não focadas especificamente nos telómeros, mas também noutros factores relacionados com o envelhecimento das células. É o caso da Unity Biotechnology, que conta entre os seus investidores com o fundador da Amazon, Jeff Bezos.

Compreender o processo de envelhecimento poderá implicar a análise de grandes quantidades de dados. Por isso, outras empresas apostam na recolha e análise maciça de dados (Big Data). É o caso da Human Longevity, fundada pelo investigador e empresário Craig Venter, que nos anos de 1990 liderou a empresa que, em competição com um consórcio público, primeiro sequenciou o genoma (todo a sequência de ADN) humano. A empresa combina as sequências de ADN de muitas pessoas, com dados acerca das suas características e saúde. Por pouco mais de 23 mil euros faz um conjunto de exames médicos e sequencia o ADN dos seus clientes, de modo a fornecer-lhes informação acerca dos seus riscos de saúde, para que possam tomar decisões médicas e de estilo de vida mais bem informadas. Também a Calico (California Life Company), uma empresa ligada à Google, procura analisar grandes quantidades de dados para compreender os processos biológicos da longevidade, embora de momento não ofereça qualquer produto.

Comer menos, viver mais

A restrição calórica, ou seja, a redução da ingestão de calorias sem desnutrição, retarda o envelhecimento em vários animais, de vermes a mamíferos. Mas uma dieta de restrição calórica é demasiado dura para a maioria das pessoas. No entanto, alguns estudos indicam que o jejum regular pode ter efeitos semelhantes a uma dieta constante de restrição calórica. Estas modalidades incluem o jejum intermitente (60% de redução calórica dois dias por semana; ou dia sim dia não), o jejum periódico (uma dieta de cinco dias a cada duas semanas, com não mais do que 1100 kcal) e alimentação com restrição de tempo (limitar o período diário de ingestão de alimentos a oito horas ou menos). Todas parecem demonstrar eficácia na perda de peso e melhorias em vários indicadores de saúde, tanto em pessoas com peso saudável como com excesso de peso. Baseado nestas premissas, a empresa L-Nutra criou refeições que imitam o jejum. Vende um plano alimentar de cinco dias por mês que visa “enganar o corpo”, simulando cinco dias de jejum. A dieta personalizada, que inclui quantidades rigorosas de couve, sopa de quinoa, chá e outras coisas, é entregue em caixas que custam cerca de 280 euros. A empresa assegura que os consumidores podem ter uma dieta normal durante os restantes 25 dias no mês.

280 euros
custa a dieta personalizada proposta pela empresa L-Nutra, um plano alimentar de cinco dias por mês que visa “enganar o corpo”, simulando cinco dias de jejum
Para João Pedro de Magalhães, a restrição calórica “provavelmente funciona para algumas pessoas, que deviam fazer uma dieta. Mas para pessoas que já tenham uma dieta saudável, que não sejam obesas, vai ter um efeito muito pequeno. Eu não recomendaria restrição calórica como uma forma de aumentar a longevidade. Dito isto, sabemos que o estilo de vida tem um impacto no envelhecimento, sabemos que as pessoas obesas, que fumem ou consumam excesso de álcool também têm uma longevidade mais baixa”.

Sangue jovem

"Longevidade? Só com boa saúde"

Há cerca de 150 anos que se fazem experiências de parabiose, ou seja, a ligação através de intervenções cirúrgicas do sistema de circulação sanguínea de dois animais. Mais recentemente têm sido feitas experiências com ratinhos, de transfusões de plasma jovem para ratinhos idosos, que mostram benefícios na memória dos ratinhos idosos. Mas num outro estudo, em que ratinhos fêmea idosos receberam transfusões de plasma jovem durante vários meses, não foi observado qualquer aumento significativo da longevidade. Num outro trabalho, em que foi feita a troca de sangue entre ratinhos novos e velhos, parece seguro o prejuízo para os ratinhos jovens, mas em vários testes não há benefícios para os ratinhos idosos.

Para Sílvia Curado, investigadora portuguesa na área de genética na Universidade de Nova Iorque e autora do livro Engenharia Genética: O Futuro já Começou (Glaciar, 2017), “de acordo com alguns estudos, teremos mais razões para acreditar que mais facilmente o sangue de um dador velho envelhece um organismo novo do que sangue novo rejuvenesce um organismo velho”. E acrescenta que esses estudos “têm sugerido a presença de factores (proteínas) que podem desempenhar um papel na reparação de tecidos ou melhoramento da memória. Um deles sugere, por exemplo, que uma proteína normalmente presente em ‘sangue jovem’ pode levar à reversão de hipertrofia cardíaca (resultante da idade) num ratinho mais velho”. Mas “embora promissores”, muitos dos resultados obtidos até hoje nesta área têm sido “contraditórios”. Para além disso, “a maioria destes estudos utiliza o ratinho como modelo animal, ou seja, desconhece-se ainda se tais efeitos poderão ser confirmados no ser humano”.

Em humanos, a empresa Ambrósia tem planeado um ensaio clínico para avaliar os efeitos de transfusões de sangue jovem para pessoas mais velhas relativamente saudáveis. A iniciativa tem gerado controvérsia: a empresa tenciona cobrar a cada participante cerca de 7500 euros, o que levanta questões éticas. Na opinião de Sílvia Curado, “tornam-se participantes de um ‘ensaio clínico’ atipicamente financiado por cada participante. Um ‘ensaio clínico’ visto por muitos como não mais do que um mero ‘scam’ [embuste], sem bases sólidas ou uma estrutura controlada. Instigados pela promessa de juventude, compram transfusões, sem garantias, arriscando-se a contrair doenças transmissíveis, desenvolver fortes reacções alérgicas ou infecções mortais”.

Teremos mais razões para acreditar que mais facilmente o sangue de um dador velho envelhece um organismo novo do que sangue novo rejuvenesce um organismo velho”
Sílvia Curado, investigadora na área da Genética


PÚBLICO -Foto
CRISTINA PEDRAZZINI/ SCIENCE PHOTO LIBRARY/ GETTY IMAGES
E se resultar?

Vamos imaginar que estamos nalgum momento futuro, que pelo menos uma destas abordagens resultou e há um tratamento antienvelhecimento realmente eficaz e com um efeito dramático. Quem teria acesso a esse tratamento, apenas uma minoria ou franjas relativamente alargadas da população?

Para João Pedro de Magalhães, “depende da natureza do tratamento. O tipo de intervenção que está no horizonte é a nível de fármacos e esses não tendem a ser excessivamente caros. Só para dar um exemplo: neste momento, está a preparar-se um ensaio clínico antienvelhecimento em Nova Iorque para um medicamento chamado ‘metformina’, que já é usado para a diabetes tipo 2 e outras condições. Por isso, é um medicamento já bastante estabelecido e extremamente barato. É um exemplo de um medicamento que, se realmente tiver um impacto antienvelhecimento, qualquer pessoa poderia comprar. Por outro lado, se o tratamento antienvelhecimento for uma transfusão de sangue de dadores jovens ou uma terapia genética que do ponto de vista técnico seja bastante complicada, então estamos a falar de tratamentos bastante mais caros”.

Para Sílvia Curado, “a questão se um novo tratamento antienvelhecimento eficaz estaria disponível a uma franja mais alargada ou mais restrita da população é não só inerente a este tipo de tratamentos, mas também a qualquer nova tecnologia ou abordagem terapêutica não comparticipada. Mas temos vindo a verificar que o custo de grande parte das tecnologias emergentes, embora inicialmente elevado, se vai tornando progressivamente mais baixo, eventualmente tornando essa tecnologia acessível a uma fracção mais alargada da população. Entre os exemplos mais recentes e óbvios, encontra-se a sequenciação de ADN. No período de apenas 15 anos, o custo da sequenciação do genoma humano desceu de 100.000.000 dólares para menos de 1000. Podemos, hoje, ter acesso à sequenciação do nosso genoma tão facilmente como ter um telemóvel na mão”.

E num cenário de grande expansão da vida humana poderíamos continuar a ter filhos, tendo em conta a pressão sobre os recursos naturais que uma vida mais longa implicaria? Para Sílvia Curado, este cenário não é totalmente novo: “Em Portugal, a esperança média de vida aumentou mais de 13,5 anos nos últimos 45 anos”, ou seja, quase um quinto da nossa vida chega-nos como um bónus destas últimas décadas.

Há uns séculos (um período relativamente curto na escala da existência humana), a esperança de vida era aproximadamente 40% da actual. “A tendência continuará, em princípio, a ser essa, a de aumentar a nossa longevidade. Ainda assim, sim, continuámos e continuamos a ter filhos. No entanto, não podemos ignorar que paralelamente à expansão da vida humana tem-se vindo a verificar também um aumento da população mundial”, diz Sílvia Curado. Mas a solução também poderá vir da ciência: “Não esqueçamos, no entanto, que também a nossa capacidade criativa e conhecimento científico-tecnológico têm evoluído, proporcionando-nos novas soluções possíveis. Temos hoje ao nosso alcance ferramentas como a engenharia genética cada vez mais acessível, mais sofisticada e mais eficaz, que nos permite desenhar e melhorar produtos alimentares.”

Se tudo falhar: congelar a cabeça

Um aumento significativo da longevidade humana é hoje uma perspectiva plausível, mas num calendário incerto. E a imortalidade não parece estar ao nosso alcance nos tempos mais próximos. Por isso, algumas pessoas admitem pagar 180 mil euros para congelar o corpo, pouco após a morte. O sangue é substituído por um líquido anticongelante e o corpo é guardado a 196 graus negativos, na esperança de que a ciência do futuro seja capaz de o ressuscitar. Há uma versão low-cost: por 75 mil euros pode-se congelar só o cérebro. Estes são os serviços que oferece a fundação Alcor, sediada no Arizona. Desde 1972, já congelou os corpos de 152 pessoas (a maioria homens) e mais de mil outras pessoas contam ter os seus corpos (ou apenas cabeças) preservados da mesma forma. Diz Sílvia Curado que “se avanços científicos recentes prometem melhorar drasticamente o campo da medicina, a ideia de, num futuro mais ou menos longínquo, poder vir a reanimar pacientes terminais em casos de patologias para as quais não existe actualmente cura poderia fazer algum sentido”.

180 mil euros
para congelar o corpo, pouco após a morte. Numa versão low-cost, por 75 mil euros pode-se congelar só o cérebro
Mas a investigadora levanta algumas questões: “Um estudo relativamente recente sugere que o verme C. elegans retém uma forma de memória após ter sido criopreservado. No entanto, para além de serem necessários mais estudos para testar a preservação de todos os mecanismos de memória, será também essencial testar a retenção de memória em organismos com sistemas nervosos mais complexos. Um outro estudo descreve ter sido possível criopreservar cérebros de coelhos e de porcos. Este estudo reporta que a preservação da estrutura destes cérebros mamíferos foi quase perfeita: quando ‘descongelado’, o cérebro aparentava ter mantido a maioria das estruturas e sinapses. No entanto, este mesmo estudo ainda não provou ser possível reanimar o cérebro.” E conclui: “Se de facto conseguirmos um dia preservar o cérebro humano, o que poderemos esperar aquando da sua reanimação? Algumas memórias? A reprodução de traços comportamentais? A recuperação de uma identidade? Para além de esta hipótese levantar questões como ‘de que é formada a identidade?’, não podemos deixar de imaginar como será acordar num mundo futuro, novo, desconhecido”.

Fonte: Publico
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Aniversários / Re: Aniversário vyegaz 19.11.2017
« Última mensagem por suscoelh@ em 19/11/2017, 11:38 »
Muitos parabéns ao aniversariante!  :brinde:
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